Dulcinea

Relatos pós-enfermaria 25: Há algum tempo perambulo triste sobre a terra. Uma carcaça em escombros que se arrasta em agonia numa jornada silenciosa. Uma fantasia singular entre tantas ilusões, personagem de si mesmo, perdido na narrativa. Difuso na sombra, meu espectro confunde-se com histórias que atravessam minha alma imprimindo na parede um borrão monocromático. Monótono. Amortecido. Impotente. Sem forças. Acordo apenas por Dulcinea. O sopro da brisa em seus cabelos. Seu perfume. O verde de seus olhos, a doçura dos seus lábios, o calor da sua pele, seus sinuosos caminhos, as incertezas de seus sonhos… suas lágrimas, suas dores. Não é sobre mim, nunca foi.

Comentários estão fechados.