Insônia

Relatos pós-enfermaria 25: Hoje acordei um gênio, daí acordei… melhor voltar a tomar os remédios, tomei, voltei a dormir, vai que me acostumo, ninguém vai me suportar mais, nem os poucos que ainda restam. Nessa hora, na mesa, Mauricio sem acento, assim como o meu Jose, viraria o rosto de lado, esconderia a boca com a mão e diria baixinho, mas em tom audível: “Padilha vai tomar no cu”, todos ririam e continuaríamos. Não poderia existir vice melhor para o Polo do que ele, a sua criatividade e entusiasmo são contagiantes e me inspiram a melhorar cada vez mais o projeto, foi o que aconteceu ontem, conversamos, ele deu algumas ideias, assisti uma série japonesa, dormi no meio, a entonação da língua japonesa e a diferença da cultura na interpretação das emoções tem em mim um efeito devastador, vou apagando, apagando, dou uma piscada e lá se foram 30 minutos. Deve ser culpa da Noemi, a minha deliciosa mata-junta da 6ª série, dela não, uma fascinante espécime de flor de lótus oriental como ela não tem culpa de nada, a culpa é do trauma e da frustração da rejeição, pior, nem rejeição, ela nem sabia que eu existia, eu e um cabo de vassoura, para ela, eram a mesma coisa, com a diferença que eu ainda tinha quatro olhos e duas orelhas de Dumbo. Um cabo de vassoura, de quatro olhos e duas orelhas de Dumbo, faz o quadro mental, eu só podia ser um experimento de aliens que não deu certo, e que quando estavam fazendo a curva em Marte, aproveitaram para descartar o embrulho, sem que ninguém percebesse. Noemi tinha razão e bom gosto, eu era feio pra caralho. Ela não podia sequer imaginar que com o passar dos tempos eu ia ficar com essas pernas. 🤣🤣🤣Falando em nosso planeta de origem, o que é a Ruivinha de Marte bunda de grilo? O que é aquilo??? Eu morri no AVC, essa é uma realidade paralela criada pelos meus neurônios agonizantes. Ela chacoalha o saco de ossos para a esquerda, depois para a direita, pronto, já acumulou em 10 segundos, mais do que eu em 10 anos. Certa ela, gênio, conseguiu fazer o melhor com o que tinha. Eu, recalcado, dormi a 1h30, acordei as 4h30, vamos lá aproveitar a insônia da madrugada para escrever mais três páginas do projeto. Não é porque fui em quem escrevi, mas as três melhores páginas do projeto, inspirado na bunda de grilo da Ruivinha de Marte, se ela faz o melhor com o saco desconjuntado de ossos que tem, eu tb posso. Pego todos os neurônios estagiários do baixo clero em estado primitivo, o machado nórdico com fio dos dois lados, acordo os unicórnios em neon e… Freedom!!! William Wallace de Mel Gibson. Afinal, “o que a vida quer da gente é coragem”, não é Guimarães? E coragem nunca me faltou. Faltam parafusos, juízo, neurônios, mas coragem sempre tive de sobra, exceto na primeira viagem de trem fantasma, fechei os olhos na partida e só abri depois que tudo tinha terminado. Vcs não tem ideia como era aterrorizante o trem fantasma da década de 70, pior só a “Monga”, a Mulher Gorila. Mas vamos mudar de assunto que está escurecendo. Das 4h30 até as 7h30 saíram mais três páginas do projeto, agora já são 54 fora os documentos. Se o governador já tinha ficado impressionado, minha missão agora é derrubá-lo da cadeira, deixa-lo com tanta vontade para darmos o “start” na construção esse ano ainda. Quem tem fome tem pressa, e eu estou faminto. Quero ver a cara da Dafne, a psiquiatra de 20 e poucos anos que incluiu minha “megalomania” no laudo de minha alta. Para a inauguração do Polo, vou mandar um bouquet de rosas e um convite. Apesar de tudo ela está certa, quem em sã consciência dorme às 1h30, acorda às 4h30, às 7h30 já escreveu 4.000 caracteres, às 8h vai fazer almoço, às 8h30 já almoçou, e às 9h30 foi no mercado, porque se não estaria no tanque lavando roupa. Detalhe hoje é sábado! O saco de levantar cedo é que às 13h30 vc já esgotou tudo que podia fazer no dia, então vamos para a rede ver as formas das nuvens no céu, e ouvir “Everybody’s Got To Learn Sometime”, versão do italiano Zucchero, em looping infinito até às 18h30, Os vizinhos adoram, devo ser o cara mais popular do bairro. Alexa!!! Vai tomar no cu Padilha. 

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