Internação

Relatos pós Enfermaria 25: Upgrade Leito 12. Graças a reação do meu organismo ao tratamento com antibióticos, anticoagulantes e outras drogas, aos médicos, enfermeiras e técnicos em enfermagem saí de alta do meu purgatório e entrei em tratamento em casa. Agradeço tb as energias positivas enviadas pelos amigo/as, vcs são especiais! Estão no coração, sempre! Agora por mais uma semana tomando comprimidos de 6 em 6 horas para garantir que as famigeradas bactérias não se reinstalem, possibilidade existente uma vez que minha carne é apetitosamente doce, e minha imunidade ainda está baixa, dois ingredientes que fazem as bactérias salivarem. E rangerem os dentes em frisson. Esses microscópicos gremlins dos quais somos recheados resolveram invadir meu sangue, numa doença renal chamada cientificamente “pielonefrite”, a mesma que a cantora Ludmilla teve dia desses, fico na esperança que meu gosto musical não tenha sido afetado. Se eventualmente me virem por aí cantando funk carioca e rebolando a bundinha, será sequela da doença. A doença trata-se de um processo infeccioso no rim, causado por bactérias. A pielonefrite afeta com mais frequência mulheres do que os homens. Se não tratada, a infecção pode causar outras complicações como evoluir para casos de septicemia, a infecção generalizada. Segundo o médico presidente da Fundação Pró-Rim “Uma infecção grave que atinge os rins pode levar a perda aguda da função renal ou causar cicatrizes nestes órgãos, levando futuramente a perda total da função renal”… segundo os médicos que me atenderam pode ter sido derivada do meu aumento de próstata não tratado adequadamente e mais a conjugação da “diabetes e hipertensão”, as meninas estão sempre juntas na origem de várias moléstias por baixarem a imunidade do organismo, deixando o terreno fértil e adubadinho para as maledicências. Nenhuma novidade. No meu laudo médico consta que o tratamento foi feito com ceftriaxona, um antibiótico injetável de amplo espectro que é usado para eliminar o excesso de bactérias no organismo. Trata vários tipos de infecção, desde infecções sexualmente transmissíveis, até infecções na pele, pneumonia e, até, meningite. Os médicos explicaram que eles iriam testando os antibióticos no meu corpo para usar aquele que reagisse melhor no organismo. Para minha sorte meu corpo reagiu bem ao tratamento com a ceftriaxona, caso contrário, ainda estaria no hospital. A leitura do laudo é impactante em dois sentidos; primeiro revela que cheguei ao hospital “fodidaço”, e que dia a dia, com o auxílio dos remédios e tratamento adequado me recuperei espantosamente. O relatório em relação às bactérias é que no primeiro dia elas eram abundantes, no segundo dia, raras e no terceiro ausentes. O dado mais evidente revelado pelos exames, e que agora em estado de recuperação me faz rir da cara do médico, quando viu o resultado pela primeira vez, é o de número de leucócitos, os nossos bravos guerreiros, também conhecidos como glóbulos brancos. Para meus amigos leitores não acostumados com a terminologia e índices médicos, numa situação de normalidade, dependendo da idade, temos por volta de 4.500 a 10.000 leucócitos no sangue. Preparem-se para o tamanho da bronca e dimensionem o estado de decrepitude da carcaça… no primeiro dia de internação meu exército de bravos guerreiros para defender seu reino contava o número de 1.840.000. Esfregue o olho amigo e leia novamente, na normalidade temos 10 mil leucócitos. O cadáver ambulante aqui no primeiro dia de internação estava apenas com Um milhão, oitocentos e quarenta mil! Gargalhada ensandecida de quem agora enxerga os fatos a distância, mas na hora, era esse “gajo” que estava suando frio, com hipotermia de 33.4, sozinho em luta com as bactérias que invadiam meu sistema imunológico. Um aumento de incríveis 18.400%, índice até hoje não aplicado para explicar nada, nem a inflação brasileira no auge do descontrole econômico. Pense. Se vc investisse na bolsa R$ 10 mil num dia, e 24 horas após recebesse R$ 1,840 milhão. É muitas vezes pior do que dever para o cartão de crédito, e com a diferença que não dava para dar o calote, dizer: “Devo, não nego e tb não pago”, porque no caso tratava-se apenas da vida, o não pago seria equivalente a “não vivo”, o que convenhamos não estava nos planos naquele momento, porque daí eu teria faltado ao episódio da Enfermaria 25 da semana, frustrado os amigos leitores e inaugurado o livro póstumo “Funerária 25”, psicografado por Chico Xavier. Me lembram os neurônios seniors que o Chico já foi, ensejando uma sessão dupla de psicografia mediúnica, a primeira minha para o Chico, a segunda do Chico para alguém. Daria uma confusão danada, lembro que nessas sessões tem de se levar uma peça de roupa da “pessoa amada” e minhas cuecas estão todas sujas. Gargalhada ensandecida por lembrar a cara do Rafael no hospital enquanto o advento AVC, ao ir buscar roupas para mim, encontrar no meio de minhas cuecas, uma calcinha fio dental de renda preta. No hospital ele olhou para mim e disse: “Pai, eu nunca imaginei”. Pausa dramática… Evidente que era da mãe dele, ela tinha esquecido quando foi embora. Usada! Cheirada e apreciada com moderação ao longo dos anos. Talvez encontrado agora a origem dos problemas com bactérias. Sim eu gosto do cheiro característico das bactérias, só não gosto que elas entrem no meu sangue e tentem me devorar por dentro, mas umas escoriações por fora… delícia! Cacete! E o que a porra da foto da sopa de inhame, batata salsa, brócolis, cenoura, macarrão, azeitona, milho, pimenta, molho de alho e shoyu tem a ver com essa história? Calma ansioso leitor, todos os dois, foi meu alimento de comemoração da vitória do meu exército de bravos guerreiros leucócitos, no primeiro dia 1.840 milhão, com auxílio dos antibióticos no segundo dia apenas 638.000, ao terceiro dia ressuscitar só com 76.000 e ao quarto dia chegar aos níveis de normalidade. Precisava comemorar mais uma guerra vencida, e inhame foi recomendado por uma amiga daquelas que a lingerie minúscula preta cairiam muito bem… quem sabe um dia pós-pandemia, pós-bactérias, esse guerreador que já sobreviveu a vírus e bactérias, não mereça como prêmio por teimosia em ainda estar vivo, uma degustação sensual de provas de lingeries. Sonhar não custa nada. E eu morro depois da esperança e da Rainha Elisabeth, dois dias depois das filhas cheirarem as cinzas de Keith Richards.

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