O vôo dos mosquitos laranja-acobreados

Relatos pós-enfermaria 25: Em casa novamente após sair do “spa” no qual fiquei hospedado nos últimos 3 dias. Tudo bem de novo, nas despedidas tiveram abraços e um até breve. No final da tarde já recebi a honrosa e apropriada visita do amigo imortal da Academia Maringaense de Letras, Dr. Jeferson, que depois de alguns minutos de conversa indagou-me se estava tudo bem e quais remédios tinham me ministrado no hospital. Eu disse obviamente que estava, afinal tinha recém saído de alta, e os remédios não sabia ao certo, mas com possibilidades concretas de ser quetiapina, que havia me auto concedido alta, mas o corpo tinha opinião divergente, e alguns outros neurolépticos e antipsicóticos atípicos da mesma família, pq nas últimas 3 noites antes da internação eu havia dormido 6 horas, somando tudo e arredondando para cima, média de 2 horas por noite, e que tinham causado minha alteração de humor, mais ainda, e respectivos reflexos clínicos. Mas, medicado, tudo tinha voltado ao normal. Dr. Jeferson, que tem TOC, assim como eu tive e, já havia passado álcool em gel, seis vezes, inclusive na cabeça, soltou um enigmático “compreendo”, sem questionar as minhas tentativas de, a cada 18 segundos, nos últimos 23 minutos, matar sem sucesso os pequenos mosquitos laranja-acobreados em neon que insistiam irritantemente “cantarolar” Beethoven, atrapalhando nossa conversa, sendo que ele nem é meu músico preferido. Depois de lamuriarmos sobre mútuos insucessos afetivos recentes, assunto recorrente de 10 entre 10 solteirões tardios, despediu-se e foi. Eu não sei o que eles me deram no hospital, mas funcionou que foi uma beleza, acredito que tenha sido uma injeção de ânimo, pois até já lavei uma camisa para a reunião de amanhã. Se vc não tem ânimo para lavar roupa, nem sabe nada de camisas finas e sofisticadas não atrapalhe a reunião dos outros.

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